Como Precificar Produtos no Varejo: Fórmula Passo a Passo
Precificar errado é uma das principais causas de prejuízo no varejo. Veja como montar uma fórmula simples, passo a passo, para definir o preço certo de cada produto e garantir a saúde financeira do seu negócio.
8 min de leitura · Atualizado em 08/07/2026 · por Varejoflow
Por Que Precificar Produtos Corretamente É Questão de Sobrevivência
Se você já teve aquela sensação de que vende bastante, mas o dinheiro nunca sobra, é bem provável que o problema esteja nos preços. A precificação errada é silenciosa: a loja parece movimentada, os produtos giram, mas no final do mês o caixa não fecha.
Muitos lojistas ainda definem preço com base no "achômetro" — olham o concorrente, adicionam uma margem no instinto e pronto. O resultado quase sempre é vender sem lucro, ou até no prejuízo, sem perceber.
Neste guia você vai aprender como precificar produtos no varejo com uma fórmula passo a passo, sem precisar de formação em finanças. Vamos usar linguagem simples e exemplos práticos que cabem em qualquer tipo de comércio: mercado, farmácia, loja de roupas, autopeças, papelaria — não importa o segmento.
Passo 1 — Conheça o Seu Custo Real de Compra
📝 Nota do editor: A Preficicação é um dos itens de maior importancia na adequação do varejo, tem uma séria de custos embutidos que são necessários calcular para não ter surpresas no final, este artigo mostra em detalhes a importância e onde precisamos focar.
O ponto de partida de qualquer precificação é o custo de aquisição do produto, mas atenção: esse número não é apenas o valor que você pagou na nota fiscal.
O custo real inclui:
- Preço de compra do fornecedor (valor na nota)
- Frete de entrada (quando você paga o transporte)
- Impostos pagos na compra (como o ICMS-ST em alguns casos — confirme com seu contador quais impostos incidem no seu regime tributário)
- Perdas e quebras estimadas (especialmente em alimentos e produtos frágeis)
Como calcular o custo unitário com frete
Se você comprou 100 unidades por R$ 500,00 e pagou R$ 50,00 de frete, o custo unitário real é:
(R$ 500,00 + R$ 50,00) ÷ 100 unidades = R$ 5,50 por unidade
Parece simples, mas muita gente esquece o frete e já começa a precificar com uma base errada.
Passo 2 — Mapeie Todos os Seus Custos Fixos
Custos fixos são aqueles que existem independentemente de você vender muito ou pouco: aluguel, energia elétrica, internet, salários, pró-labore, sistema de gestão, contabilidade, entre outros.
Para precificar corretamente, você precisa saber quanto dos seus custos fixos cada produto precisa "carregar".
Como fazer isso na prática
- Some todos os seus custos fixos mensais. Exemplo: R$ 8.000,00/mês
- Estime o faturamento mensal médio. Exemplo: R$ 40.000,00/mês
- Divida: R$ 8.000 ÷ R$ 40.000 = 0,20 → ou seja, 20% do faturamento
Esse percentual (20% neste exemplo) representa o quanto de cada venda precisa cobrir os custos fixos. Guarde esse número — ele entra na fórmula logo adiante. Conhecer a proporção entre custos fixos e faturamento é fundamental para manter a saúde financeira da loja, assim como como fazer controle de fluxo de caixa para pequeno comércio.
Passo 3 — Entenda as Despesas Variáveis
Despesas variáveis são aquelas que crescem conforme você vende mais. As principais no varejo são:
- Impostos sobre a venda (como o Simples Nacional — verifique com seu contador a alíquota exata do seu negócio e faixa de faturamento)
- Taxa da maquininha (cartão de crédito, débito, Pix — cada bandeira tem uma taxa diferente)
- Comissão de vendedores (se houver)
- Embalagens (sacolas, caixas, etiquetas)
Some todas essas despesas e converta em percentual do preço de venda. Exemplo hipotético:
| Despesa | % estimado |
|---|---|
| Imposto (Simples Nacional) | 6% |
| Taxa da maquininha (média) | 2,5% |
| Embalagem | 1% |
| Total variável | 9,5% |
⚠️ As alíquotas do Simples Nacional variam de acordo com o anexo e a faixa de faturamento da sua empresa. Sempre confirme os percentuais com seu contador antes de precificar.
Passo 4 — Defina a Sua Margem de Lucro
Aqui mora o erro mais comum: muitos lojistas confundem faturamento com lucro. Faturar R$ 100 mil por mês não significa nada se os custos consumirem tudo.
A margem de lucro é o que sobra para você reinvestir, distribuir, criar uma reserva ou crescer. Não existe um percentual certo para todos os negócios, mas algumas referências práticas:
- Produtos de alta rotatividade e baixo ticket (ex.: alimentos básicos): margem menor, por volta de 5% a 15%
- Produtos de média rotatividade (ex.: roupas, acessórios): margem entre 20% e 50%
- Produtos de baixa rotatividade e alto valor (ex.: autopeças específicas): pode ultrapassar 50%
Defina a margem que faz sentido para a sua realidade e o seu mercado.
Passo 5 — Aplique a Fórmula de Precificação
Com todos os dados em mãos, chegou a hora de montar o preço. A fórmula mais usada no varejo é o Markup, que transforma o custo em preço de venda considerando todos os encargos e o lucro desejado.
A Fórmula do Markup
Markup Divisor = 1 − (% custos fixos + % despesas variáveis + % lucro desejado) ÷ 100
Preço de Venda = Custo do Produto ÷ Markup Divisor
Exemplo prático completo
Vamos usar os números que calculamos ao longo do guia:
- Custo unitário do produto: R$ 5,50
- % custos fixos: 20%
- % despesas variáveis: 9,5%
- % margem de lucro desejada: 15%
Soma dos percentuais: 20 + 9,5 + 15 = 44,5%
Markup Divisor: 1 − (44,5 ÷ 100) = 1 − 0,445 = 0,555
Preço de Venda: R$ 5,50 ÷ 0,555 = R$ 9,91
Arredondando para R$ 9,99, você tem um preço de venda que cobre todos os custos, as despesas variáveis e ainda garante 15% de lucro sobre o faturamento.
Passo 6 — Valide o Preço no Mercado
A matemática garante que você não vai vender no prejuízo. Mas o cliente também precisa enxergar valor no preço cobrado.
Depois de calcular o preço mínimo viável, faça essa análise:
O preço está muito acima do mercado?
Se sim, você tem duas opções:
- Rever os custos — há despesa que pode ser reduzida? Frete mais barato? Fornecedor alternativo?
- Ajustar a margem — aceitar uma margem menor nesse produto e compensar em outros
O preço está muito abaixo do mercado?
Ótimo sinal. Você pode:
- Manter o preço e ganhar competitividade
- Subir o preço e aumentar a margem sem perder vendas
Nunca precifique abaixo do custo total só para competir
Vender abaixo do preço mínimo viável gera prejuízo em cada venda. Pode parecer que você está "segurando clientes", mas na prática está queimando seu capital de giro. Uma ferramenta de gestão adequada, como as comparadas em Bling ou Tiny: qual ERP escolher para o seu negócio?, pode auxiliar a monitorar esses indicadores em tempo real.
Passo 7 — Revise os Preços com Regularidade
Precificar não é uma tarefa que se faz uma vez e esquece. Preços de fornecedores sobem, alíquotas mudam, a maquininha ajusta taxas, o aluguel reajusta.
Estabeleça uma rotina de revisão:
- Mensalmente: verifique se os custos variáveis (impostos, taxas de cartão) mudaram
- A cada recompra: recalcule o custo unitário com o novo preço do fornecedor
- Anualmente (ou quando houver reajuste): revise os custos fixos e o markup de toda a grade de produtos
Um sistema de gestão com cadastro de produtos e controle de custo facilita muito esse processo — você atualiza o custo de compra e recalcula o preço em segundos.
Erros Comuns na Precificação do Varejo
Antes de fechar, vale revisar os erros mais frequentes que lojistas cometem:
❌ Usar apenas o preço do concorrente como referência O concorrente pode estar precificando errado também. Use o mercado como referência, não como regra.
❌ Não incluir o pró-labore nos custos fixos O seu salário como dono é um custo do negócio. Se você não se paga, o lucro está inflado.
❌ Ignorar a taxa da maquininha Uma taxa de 2,5% em R$ 40.000 de faturamento representa R$ 1.000,00/mês. Não é detalhe.
❌ Calcular margem sobre o custo em vez do preço de venda Margem de 30% sobre o custo não é a mesma coisa que 30% sobre o preço de venda. Sempre calcule a margem sobre o preço final para ter consistência.
❌ Não separar tipos de produto Produtos diferentes têm rotatividade, risco de perda e apelo diferentes. Não aplique o mesmo markup para tudo sem critério.
Resumo: Os 7 Passos da Precificação no Varejo
- Calcule o custo real de compra (com frete e perdas)
- Mapeie os custos fixos e transforme em percentual
- Identifique as despesas variáveis (impostos, taxas, embalagens)
- Defina a margem de lucro desejada
- Aplique a fórmula do Markup para chegar ao preço mínimo
- Valide o preço no mercado e na percepção do cliente
- Revise periodicamente — precificação é processo, não evento
Com esses passos, você para de vender no escuro e passa a tomar decisões com base em números reais. Sua loja pode vender menos volume e lucrar mais — ou crescer com saúde financeira de verdade.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre margem de lucro e markup?
Margem de lucro é o percentual de lucro calculado sobre o preço de venda final. Markup é o fator aplicado sobre o custo para chegar ao preço de venda. Por exemplo: se você compra por R$ 5,00 e vende por R$ 10,00, seu markup foi de 100% sobre o custo, mas sua margem de lucro é de 50% sobre o preço de venda. Para precificar corretamente, trabalhe sempre com a margem calculada sobre o preço de venda.
Posso usar o mesmo markup para todos os produtos da minha loja?
Não é recomendado. Produtos com alta rotatividade, como itens de primeira necessidade, geralmente operam com margens menores. Já produtos de menor giro, maior risco de obsolescência ou maior valor agregado comportam margens mais altas. O ideal é criar grupos de produtos e definir um markup específico para cada categoria.
Como incluir o imposto do Simples Nacional na precificação?
A alíquota do Simples Nacional varia conforme o anexo da atividade e a faixa de faturamento acumulado dos últimos 12 meses. Esse percentual deve entrar como despesa variável na sua fórmula de precificação. Como ele pode mudar conforme o seu faturamento cresce, é fundamental confirmar a alíquota atual com seu contador antes de precificar.
O que fazer quando o preço calculado fica acima do concorrente?
Primeiro, revise seus custos: há fornecedor mais barato? O frete pode ser renegociado? Em seguida, avalie se é possível reduzir a margem naquele produto e compensar em outros itens. Se ainda assim o preço for inviável, pode ser que esse produto não seja adequado para o seu mix — ou que o concorrente esteja operando no prejuízo sem saber.
Com que frequência devo revisar os preços da minha loja?
O ideal é revisar sempre que houver mudança nos custos de compra, nas taxas de cartão ou nos impostos. Como regra prática, faça uma revisão completa a cada recompra do fornecedor e uma análise geral de todos os custos fixos pelo menos uma vez por ano — ou quando perceber que a margem real está diferente do que você planejou.