Como calcular o DAS do Simples Nacional passo a passo
O DAS é o boleto único que reúne todos os impostos do Simples Nacional. Neste guia, você vai entender como ele é calculado, o que entra na conta e por que o valor muda todo mês.
8 min de leitura · Atualizado em 03/08/2026 · por Rafael Marques
O que é o DAS e por que ele importa para o seu negócio
Se você é optante pelo Simples Nacional, todo mês chega um boleto chamado DAS — Documento de Arrecadação do Simples. Ele reúne, em uma única guia, vários tributos federais, estaduais e municipais que, em outros regimes, seriam pagos separadamente.
Para muitos lojistas, o DAS é só "o boleto que chega e tem que pagar". Mas entender como o valor é calculado faz toda a diferença: você consegue prever o custo tributário do mês, identificar cobranças erradas e tomar decisões melhores sobre precificação e margem de lucro.
Atenção: este guia explica a lógica do cálculo para que você entenda o processo. Cada negócio tem particularidades — Anexo, atividade, histórico de receita — que podem mudar o resultado. Sempre confirme os valores finais com o seu contador antes de gerar ou pagar o DAS.
Como o Simples Nacional organiza as empresas: os Anexos
📝 Nota do editor: Este artigo veio para facilitar a emissão deste imposto, sem complicações, mas é preciso de organização para saber a soma do ano.
Antes de calcular qualquer coisa, você precisa saber em qual Anexo o seu negócio se enquadra. O Simples Nacional divide as atividades em cinco grupos principais:
| Anexo | Tipo de atividade | Exemplos comuns no varejo |
|---|---|---|
| I | Comércio | Mercado, loja de roupas, pet shop, loja de calçados |
| II | Indústria | Confecção própria, fabricação de alimentos |
| III | Serviços (menor carga) | Agência de viagens, escritório de TI |
| IV | Serviços (sem CPP) | Construção civil, vigilância |
| V | Serviços (maior carga) | Publicidade, medicina, odontologia |
A maioria dos lojistas de varejo se enquadra no Anexo I. Se você vende produto e também presta serviço, pode ter mais de um Anexo incidindo — mais um motivo para ter um contador olhando o seu caso.
Os três ingredientes do cálculo do DAS
O valor do DAS depende de três elementos:
- Receita Bruta do mês atual — tudo que você faturou no mês de competência
- Receita Bruta acumulada dos últimos 12 meses (RBT12) — usada para encontrar a alíquota na tabela
- Alíquota efetiva — calculada com uma fórmula específica, não é simplesmente o percentual da faixa
Vamos destrinchar cada um.
Passo 1 — Calcule a Receita Bruta do mês
Some todas as vendas realizadas no mês: dinheiro, cartão, Pix, boleto, fiado que entrou, vale. Não desconte devoluções ainda — isso entra depois.
Se houve cancelamento ou devolução confirmada no mesmo mês, você pode abater do faturamento. Vendas parceladas entram no mês em que foram realizadas (regime de competência), não no mês do recebimento — confirme com seu contador qual critério se aplica ao seu caso.
Exemplo:
- Vendas no caixa: R$ 18.000
- Vendas no cartão: R$ 24.000
- Vendas por Pix: R$ 8.000
- Receita Bruta do mês = R$ 50.000
Passo 2 — Some os últimos 12 meses para encontrar a faixa
O RBT12 é a soma da receita bruta dos 12 meses anteriores ao mês de apuração (não inclui o mês atual). Esse número determina em qual faixa da tabela do Anexo você está.
Tabela do Anexo I (Comércio) — faixas de receita:
| Faixa | RBT12 | Alíquota nominal | Parcela a deduzir |
|---|---|---|---|
| 1ª | Até R$ 180.000 | 4,00% | — |
| 2ª | De R$ 180.000,01 a R$ 360.000 | 7,30% | R$ 5.940,00 |
| 3ª | De R$ 360.000,01 a R$ 720.000 | 9,50% | R$ 13.860,00 |
| 4ª | De R$ 720.000,01 a R$ 1.800.000 | 10,70% | R$ 22.500,00 |
| 5ª | De R$ 1.800.000,01 a R$ 3.600.000 | 14,30% | R$ 87.300,00 |
| 6ª | De R$ 3.600.000,01 a R$ 4.800.000 | 19,00% | R$ 378.000,00 |
Os valores acima são os previstos na Lei Complementar 123/2006. Confirme com seu contador se houve qualquer atualização que afete o seu caso.
Continuando o exemplo: Suponha que nos últimos 12 meses você faturou, no total, R$ 480.000. Isso coloca o negócio na 3ª faixa.
Passo 3 — Calcule a alíquota efetiva
Aqui mora a confusão de muita gente: a alíquota efetiva não é o percentual da faixa. Ela é calculada assim:
Alíquota Efetiva = [(RBT12 × Alíquota Nominal) − Parcela a Deduzir] ÷ RBT12
Usando o exemplo:
Alíquota Efetiva = [(480.000 × 9,50%) − 13.860] ÷ 480.000
Alíquota Efetiva = [45.600 − 13.860] ÷ 480.000
Alíquota Efetiva = 31.740 ÷ 480.000
Alíquota Efetiva = 0,06613 → 6,61%
Perceba: a faixa é de 9,50%, mas a alíquota efetiva é de 6,61%. Isso acontece porque a parcela a deduzir é o mecanismo que garante progressividade sem um "salto" brusco de imposto ao mudar de faixa.
Passo 4 — Aplique a alíquota sobre a receita do mês
Agora é simples:
Valor do DAS = Receita Bruta do Mês × Alíquota Efetiva
Valor do DAS = R$ 50.000 × 6,61%
Valor do DAS = R$ 3.305,00
Esse é o valor que vai aparecer no seu DAS para o mês.
Passo 5 — Gere o DAS pelo PGDAS-D
O cálculo manual serve para você entender e conferir, mas a guia oficial é gerada no sistema PGDAS-D, disponível no portal do Simples Nacional (receita.fazenda.gov.br). Lá você informa a receita bruta do mês por atividade e o sistema calcula automaticamente a alíquota e gera o boleto.
Passo a passo no portal:
- Acesse o portal do Simples Nacional com o certificado digital ou código de acesso
- Clique em PGDAS-D
- Informe o período de apuração (mês/ano)
- Lance a receita bruta por Anexo
- Confira o valor calculado
- Gere e imprima ou salve o DAS
O vencimento padrão é o dia 20 do mês seguinte ao de apuração. Se cair em feriado ou fim de semana, o prazo vai para o próximo dia útil.
O que está dentro do DAS?
O DAS reúne em um único pagamento:
- IRPJ — Imposto de Renda Pessoa Jurídica
- CSLL — Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
- PIS/Pasep
- Cofins
- CPP — Contribuição Patronal Previdenciária (INSS patronal)
- ICMS — para comércio e indústria
- ISS — para serviços
A proporção de cada tributo dentro do DAS varia por Anexo e por faixa. No Anexo I, por exemplo, o ICMS representa uma fatia relevante — o que significa que convênios estaduais de isenção ou redução de ICMS podem diminuir o valor total do DAS.
Por que o DAS muda todo mês mesmo faturando igual?
Essa é uma dúvida muito comum. Mesmo que o faturamento mensal seja estável, o RBT12 vai mudando conforme meses mais antigos saem do cálculo e meses novos entram. Se você cresceu nos últimos meses, o RBT12 sobe e pode empurrar o negócio para uma faixa maior, aumentando a alíquota efetiva.
O contrário também acontece: um mês fraco de 13 meses atrás "saindo" do cálculo e sendo substituído por um mês forte pode elevar o RBT12 — e vice-versa. Por isso, organizar o fluxo de caixa do seu comércio é essencial para não ser surpreendido por variações.
Erros comuns ao calcular o DAS
Confundir alíquota nominal com alíquota efetiva
Muitos lojistas olham a tabela, veem "9,50%" e multiplicam direto pela receita. O resultado fica maior do que o real. Use sempre a fórmula da alíquota efetiva.
Não separar receitas por Anexo
Se o seu CNPJ tem atividades de comércio e serviço simultaneamente, as receitas precisam ser lançadas em Anexos diferentes. Misturar tudo num único campo pode gerar cobrança errada.
Incluir receitas que não entram na base
Algumas receitas não compõem a base de cálculo do Simples (ex.: receitas financeiras em alguns casos, devoluções confirmadas). Seu contador pode orientar o que entra e o que não entra.
Atrasar o pagamento
Além da multa de 0,33% ao dia (limitada a 20%) e dos juros pela taxa Selic, o atraso pode colocar a empresa em situação irregular, impedindo a emissão de certidões negativas. Se não conseguir pagar no vencimento, verifique a possibilidade de parcelamento no próprio portal.
Simples Nacional vs. outros regimes: quando vale a pena?
O Simples Nacional é vantajoso para a maioria das empresas de varejo de pequeno e médio porte pela simplicidade e pela alíquota efetiva geralmente menor. Mas existem situações em que o Lucro Presumido pode ser mais interessante — por exemplo, quando o negócio tem margem muito alta ou quando clientes pessoa jurídica precisam de crédito de PIS/Cofins nas notas.
Essa comparação exige análise individual. Consulte seu contador antes de qualquer decisão de enquadramento tributário.
Resumo do cálculo em 5 passos
- Some o faturamento do mês → Receita Bruta do Mês
- Some os últimos 12 meses → RBT12
- Encontre a faixa na tabela do seu Anexo
- Calcule a alíquota efetiva com a fórmula:
[(RBT12 × Alíquota Nominal) − Parcela a Deduzir] ÷ RBT12 - Multiplique a alíquota efetiva pela Receita Bruta do mês → Valor do DAS
Fazer esse cálculo mensalmente, antes de gerar o boleto, ajuda a identificar inconsistências e planejar o fluxo de caixa com mais segurança.
📋 Importante: Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um contador. Consulte sempre um profissional antes de tomar decisões tributárias ou fiscais para o seu negócio.
Perguntas frequentes
O DAS do Simples Nacional precisa ser pago mesmo sem faturamento no mês?
Se você não teve faturamento no mês, o DAS é gerado com valor zero — mas você ainda precisa declarar no PGDAS-D que a receita foi R$ 0,00. Não declarar pode gerar multa por omissão. Confirme com seu contador como proceder em meses sem movimento.
O que acontece se eu pagar o DAS com atraso?
Incide multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, mais juros pela taxa Selic acumulada desde o vencimento. Além disso, a empresa pode ficar com pendências que impedem emissão de certidões. Se não conseguir pagar, verifique a opção de parcelamento no portal do Simples Nacional.
Por que meu DAS aumentou mesmo sem eu faturar mais?
O cálculo usa a soma dos últimos 12 meses (RBT12). Se um mês fraco do ano anterior saiu do período e foi substituído por um mês mais forte, o RBT12 sobe e pode te colocar em uma faixa maior, elevando a alíquota efetiva — mesmo com o faturamento mensal estável.
MEI também paga DAS da mesma forma?
Não. O MEI tem um DAS fixo mensal, com valor definido por lei e ajustado periodicamente, que inclui INSS, ICMS e/ou ISS dependendo da atividade. O cálculo por RBT12 e alíquota efetiva se aplica às empresas do Simples Nacional que não são MEI.
Posso calcular o DAS sozinho sem contador?
O cálculo básico pode ser feito por qualquer lojista seguindo os passos deste guia. Mas um contador é essencial para garantir o enquadramento correto no Anexo, identificar receitas que não entram na base, aproveitar benefícios fiscais estaduais e evitar erros que gerem autuação. O custo de um erro costuma ser muito maior do que a mensalidade contábil.